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15/05/2017

Pesquisadores da UFCG trabalham em projetos pioneiros na elaboração de biomateriais

 

Trabalhos são desenvolvidos em parceria com instituição espanhola


Dois investigadores do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) estão estreitando os laços cada dia mais com uma das instituições mais importantes do mundo quando o assunto é pesquisa, o Instituto de Cerámica y Vidrio, que fica em Madri, na Espanha.

Willams Barbosa e Imarally Souza realizam seus doutorados acerca do desenvolvimento de biomaterias com cerâmicas avançadas, e, recentemente, chegaram da capital espanhola, onde estiveram por um ano para aprimorar os estudos. Este mês, é o pesquisador espanhol referência no tema, Miguel Ángel Rodríguez, quem estará na UFCG.

Mas para entender o que os pesquisadores investigam, é preciso ir por etapas. Imagine a seguinte situação: você vai ao dentista com muitas dores em um dente e descobre que precisará realizar um canal, operação relativamente simples de limpeza interna. No entanto, para ser realizada, abre-se um espaço no seu dente, que é preenchido por uma espécie de cimento. Até aí, embora o assunto seja um pouco estranho a leigos, trata-se de algo bem frequente. Só que o que costuma acontecer é: o paciente sai do dentista com esse “cimento” ainda em fase de endurecimento, o que pode levar cerca de duas horas ou mais. E qualquer vazamento do material – ainda pastoso – é potencial causador de graves inflamações e dor. Esse, então, é o foco do trabalho de Willams: desenvolver um novo cimento para processos de endodontia, com melhoramento considerável de suas propriedades, a partir da obtenção de uma cerâmica especial. Em resumo, um processo muito mais barato, seguro e de rápida secagem (não mais que uma hora).

“Estamos falando de um cimento bioativo, que pode proporcionar uma melhor reação com o tecido e não causa reações adversas. Sem contar que o tempo para endurecimento é pelo menos a metade do que é atualmente. Esse material é totalmente bem recebido e aceito pelo corpo humano”, explicou o químico Willams.

No caso de Imarally, a aplicação é outra. A partir da cerâmica sintetizada, ela cria Scaffolds (palavra em inglês que pode ser traduzida como andaimes, arcabouços). Em bom português: uma espécie de ponte que se dá muito bem com a célula óssea, auxiliando o crescimento do tecido. É um processo de regeneração do osso, para casos de perda óssea, seja por acidentes, por doenças ou quaisquer outros motivos. E o mais importante: utilizando-se técnica apurada e reconhecida internacionalmente, com melhor resistência mecânica e abrangendo todo o requisito do corpo, só que bem mais barata do que costuma ser no mercado.

"As duas pesquisas estão bem adiantadas, mas para começarmos os testes com animais é necessário que se respeite inúmeras regras, especialmente com relação a código de ética. Estamos seguindo passo a passo e o próximo é o ensaio in vitro, que vai avaliar como as células irão reagir ao Scaffold", disse Imarally, que é formada em Engenharia de Materiais. Em outras palavras, seria uma espécie de simulação, usando apenas fluidos e materiais químicos, do que acontece efetivamente no corpo humano, como as células reagem a todo o processo.

É o processo inicial que é o mesmo para ambos os pesquisadores: a obtenção da cerâmica. Não se trata aqui, claro, de uma cerâmica comum, popularmente conhecida, nem de materiais usuais de forma geral para processos químicos.

Os estudantes, eles próprios, criam essa cerâmica, a partir da síntese com reagentes químicos, respeitando todo um processo de elaboração e caracterização, ou seja, conhecimento do material obtido e testes até que se consiga o produto exato pretendido. Basicamente, eles obtêm uma espécie de pó, a partir do qual todo o resto se desenvolve.

Essas etapas iniciais não são a novidade na ciência. De fato, elas já existem, porém com altos custos. O método utilizado pela dupla da UFCG é que é inovador. Chama-se Síntese por Combustão de Solução, técnica mais rápida e simples (gasta cerca de metade da energia usual e faz em dez minutos o que as técnicas atuais levariam cerca de um dia), cujos estudos estão bem avançados em alguns pontos do planeta: o Instituto de Cerámicas y Vidrio, na Espanha, com projeto desenvolvido pelo Dr. Miguel Ángel, e o Laboratório de Avaliação e Desenvolvimento de Biomateriais do Nordeste (CertBio), do CCT, são alguns desses poucos exemplos. Esse é o motivo, afinal, por que os pesquisadores foram à Europa realizar um intercâmbio de experiências.

A verdade é que, se a questão fosse somente relacionada à capacidade dos laboratórios, já estavam muito bem servidos. O CertBio oferece estrutura avançada e acreditada pela Anvisa, algo que poucos laboratório no Brasil possuem.

“O laboratório aqui é amplamente completo e, inclusive, há etapas que o Instituto em que estivemos na Espanha não realizava e que aqui é feita sem problemas, como realizar ensaios biológicos no nosso material”, contou Imarally, lembrando que o Instituto de Cerámicas y Vidrio trata de um tema bem específico, que veio a complementar seus estudos, estes, sim, relacionados diretamente a biomateriais. “Mas a troca de aprendizados e experiências com outros profissionais, o aprimoramento das técnicas, além do aprendizado profissional e cultural, isso tudo não tem preço”, completou.

Pesquisador espanhol na UFCG

Entre os dias 8 e 19 de maio, é o pesquisador espanhol Dr. Miguel Ángel RodrÍguez quem estará no CCT  da UFCG atualizando essa troca de conhecimentos com os profissionais de Campina Grande. Ele já esteve no Brasil por outras vezes e o objetivo é manter essa conexão cada vez mais forte.

“Os objetivos desses trabalhos são muito parecidos com os projetos do governo espanhol na área. Há uma colaboração mútua, e todos saem ganhando com isso”, explicou o espanhol. “Estou aqui para orientar essas pesquisas, mas terminamos interagindo com vários outros alunos e seus projetos”, completou ele, que assume o posto de Pesquisador Visitante Especial (PVE) no Brasil.

Miguel faz parte do Instituto de Cerámicas y Vidrio, um dos 11 que compõem o Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), atuando na área de ciências e tecnologia de materiais. Ele aproveita sua passagem também para prestigiar etapas importantes dos trabalhos dos brasileiros. Willams apresenta seu seminário de doutorado (espécie de reaprovação do projeto, metade do caminho para sua finalização) nos próximos dias, e Imarally está na fase de Qualificação, último compromisso antes da defesa final e conclusão do trabalho.



Fonte: UFCG









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